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Catar anuncia morte do antigo emir xeque Hamad

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"É com corações firmes na fé, na vontade e no destino de Deus que o Diwan do emir lamenta o falecimento de Sua Alteza o emir pai, o xeque Hamad bin Khalifa Al Thani — que Deus lhe conceda a Sua misericórdia —, uma grande perda para a nação", anunciou o gabinete do emir, citado pela Agência de Notícias do Catar.

O xeque Hamad, que tinha destituído o seu pai, o xeque Khalifa, durante uma revolução palaciana em 1995, demitiu-se surpreendentemente em junho de 2013 a favor do seu quarto filho, o xeque Tamim, após 18 anos como emir, e foi o arquiteto de grandes transformações no Catar, país rico em recursos energéticos, que o transformaram de um local remoto num "hub" internacional em menos de uma geração.

Fundador da estação de televisão árabe Al Jazeera, que se tornou uma força importante nos meios de comunicação globais, o xeque Hamad procurou o prestígio internacional do emirado de várias formas, desde o investimento em ativos icónicos, como o Harrods em Londres, a principal loja de artigos de luxo em todo o mundo, ao desporto - cujo esforço foi coroado pelo sucesso da candidatura do Catar para acolher o Campeonato do Mundo de Futebol de 2022.

O Catar tornou-se também com o xeque Hamad uma potência diplomática. Ao longo dos anos, a sua mediação foi posta em prática no conflito na região de Darfur, no oeste do Sudão, nas disputas entre fações libanesas e na divisão entre as fações palestinianas do Hamas e da Fatah.

Em outubro de 2012, o xeque Hamad tornou-se o primeiro chefe de Estado a visitar a Faixa de Gaza desde que o Hamas assumiu o controlo, cinco anos antes, prometendo um total de 400 milhões de dólares em projetos e investimentos.

Ao mesmo tempo, o Catar também estendeu a mão ao principal adversário do Hamas: Israel. O xeque Hamad reuniu-se em 2007 com a então ministra dos Negócios Estrangeiros de Israel, Tzipi Livni, na Assembleia Geral das Nações Unidas, e o Catar permitiu que um escritório comercial israelita operasse em Doha, até que foi ordenado o seu encerramento, em resposta aos ataques de Israel a Gaza no final de 2008.

A seguir, enquanto os vizinhos Bahrein e Emirados Árabes Unidos reconheceram diplomaticamente Israel em 2020, o Catar manteve a distância e o Mundial de Futebol de 2022 foi palco de uma profusão de bandeiras palestinianas e de protestos contra a ocupação israelita de territórios que os palestinianos reivindicam para o seu futuro Estado.

Durante a Primavera Árabe, o Catar enviou aviões de combate para as missões lideradas pela NATO na Líbia contra as forças de Muammar Kadhafi e prestou ajuda militar e financeira fundamental aos rebeldes líbios vitoriosos.

Na Síria, o Catar foi um dos principais patrocinadores políticos da oposição ao então presidente Bashar al-Assad e liderou os apelos para aumentar o fluxo de armas aos rebeldes sírios.

Já o apoio a grupos islamistas como a Irmandade Muçulmana causou desavenças com outras nações da região, que culminaram sob o reinado do xeque Tamim, quando o Bahrein, Egito, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos lançaram um boicote contra o Catar, que se prolongou por vários anos, em parte devido às políticas do pai do xeque Hamad, que se mantiveram durante o seu reinado.

Numa das últimas iniciativas antes da abdicação do xeque Hamad, o Catar abriu formalmente um escritório para os talibãs do Afeganistão, o que preparou o terreno para as negociações entre os Estados Unidos e os talibãs, que acabaram por conduzir à retirada caótica da NATO e dos Estados Unidos do Afeganistão em 2021.

c/Lusa

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